sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Eu, minha rua e minha estória na História
Por Fernanda Bastos da Silva – Turma A de Cabuçu
Quando me inscrevi no ProJovem, não imaginava que conheceria o Projeto "Minha rua tem história" e que, ao buscar um projeto de inclusão social, me depararia com um espaço sociocultural e, ainda mais, que seria responsável por construir (em conjunto com os demais) um perfil para o meu lugar de vida. Em suma, o "Minha rua tem história" no qual mergulhei de cabeça foi a oportunidade que nos foi dada de, a partir de estórias narradas pelos cidadãos "cabuçuenses", construir a "história" do bairro.
Isso, é claro, não significa que não há nenhum documento histórico que fale do nosso bairro, mas que a nossa voz foi ouvida em "Viva Voz", até porque parte do conhecimento que eu demonstrei ter sobre a história de Cabuçu deveu-se às leituras e aulas que tive sobre o assunto no PVNC Cabuçu (Pré-vestibular para negros e carentes), além das conversas e experiências dos anciãos da "minha rua", principalmente meus pais, minha avó e meu noivo, professor de geografia do pré. O que quero ressaltar é que a voz do povo foi valorizada e isso é muito importante.
O certo é que pude "aprender ao estudar" mais sobre meu ambiente de vida, meu bairro. Outra coisa legal foi que a troca de conhecimentos na turma A foi primordial para o sucesso de nossas gincanas, encaradas por nós como projetos importantes. Nesses oito encontros, reencontrei amigos do colegial e conquistei novas amizades, aprendi a respeitar o empenho de uma literalmente ajudante, a Fofão (Elisângela), que realmente nos ajudou muito, tornando-se uma boa amiga.
No primeiro encontro na Vila Olímpica de Nova Iguaçu, pude conversar com o nosso prefeito Lindberg Farias e pedi um olhar mais atento à nossa comunidade, o que demonstra estar sendo realizado com o projeto. Cabuçu saiu do anonimato e tremeu as estruturas do ginásio. No último encontro no mesmo local, tive o orgulho de representar minha turma com a eleição do meu texto ("Um Índio, a Itaquaritinga e a Tabatinga" ou "De Cabuçu para a história", como postado no blog) na categoria "estórias de árvores e ruas" e, na ocasião, ganhei dez horas na lan house do meu bairro.
Inclusão cultural e social também é inclusão digital, a partir desse momento, realizei um sonho que muitos amigos e jovens que estudam têm: o de publicar um texto. Acredito na validade do blog "Minha rua tem história", assim como do projeto como um todo. As palavras encontradas na página do perfil de Cabuçu não são meros comentários ou bate-papo, são minhas idéias para o mundo, são minha contribuição para a construção da história do meu bairro na História.
Na terça feira (23 de setembro), tivemos o nosso último encontro na E. M. Abílio Ribeiro. Foi um encontro de despedida do "Minha rua tem história". Entregamos nossas entrevistas do Projeto "Cabuçu em Viva Voz em MP4" da turma "A". Apostamos na potencialidade dessa ação construída por nós para o desenvolvimento cultural do bairro. Fotografamos toda a turma e nos divertimos muito.
Não penso que o projeto está acabando, pois o conhecimento gerado por ele ficará para sempre. Aposto na continuidade dele por muitas e muitas edições e que o acervo de estórias que ele pode compor possa ajudar a mostrar para toda Nova Iguaçu e para o mundo, o que tem de valor em Cabuçu, até mesmo para os que moram há tanto tempo no bairro e não o conhecem.
Mas o Pro Jovem continua. Com certeza, estamos muito mais capacitados a nos profissionalizar com o crescimento humano que tivemos ao trabalhar em equipe e buscar nossa criatividade, hoje tão visada pelo mercado de trabalho. Ao final do programa, não seremos apenas auxiliares disso ou daquilo. Seremos profissionais humanos, cidadãos que buscam crescimento social e desenvolvimento cultural.
Os alunos do Pro Jovem têm potencial, os moradores antigos, as mães guerreiras, os artistas e pesquisadores (que existem no bairro) têm potencial para dizer, mostrar e cantar Cabuçu e suas estórias. Cabuçu possui sua identidade, sua cultura, ou melhor, "culturas". Cabuçu é um espaço de múltiplas relações socio-históricas e (re)criador de culturas.
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Palhada quer fazer história
O encontro dos jovens da Palhada aconteceu em clima de festa, e um pouco de nostalgia. A emoção tomou conta de todos, que haviam mergulhado de corpo e alma nas histórias de um passado não muito distante das ruas da Palhada.
No primeiro momento, a oficina foi dedicada a assuntos burocráticos, envolvendo a documentação pendente para o pagamento da bolsa de todos os participantes.
Mas o que todos aguardavam era a fala do oficineiro Rafael Gomes, que, acompanhado das assistentes Raquel Gomes e Débora Onofre, explicou o que seria feito no dia 28 de setembro, domingo, na Vila Olímpica de Nova Iguaçu.
O grito de guerra, de tão bom, será apresentado no “Festival do Minuto”, quando todas as turmas do projeto mostrarão um trabalho. Todos na Palhada acreditam que o grito de guerra vai surpreender o público do grande dia da gincana.
Viemos para ganhar
“Participar é bom mais vencer é melhor ainda, viemos para ganhar, estamos com moral e animo para isso. Palhada dará um show, vamos ‘arrebentar a boca do balão’”, disse Vanessa, toda sorrisos. Os oitenta e cinco jovens presentes estavam muito animados.
O oficineiro Rafael Gomes, amigo e companheiro de todos, conseguiu estimular todos os jovens a participarem da dinâmica. Até os mais tímidos acabaram se rendendo ao seu apelo. "Moro há quarenta anos na Palhada, foi a primeira vez que vi algo desse tipo acontecer." Para ele, o maior prêmio é o encontro das pessoas que participaram do projeto dizendo com orgulho: "Contei minha história , vai ficar para sempre na memória de todos, tenho orgulho da minha rua."
Chegou a hora tão esperada. Na mesa arrumada com carinho, os salgadinhos sumiram em em minutos (ou segundos).
Depois de um elogio coletivo, Anderson Barnabé, um dos coordenadores do projeto, passou uma última tarefa. No dia primeiro de outubro à noite haverá a exibição de um documentário sobre uma das historias selecionadas. "Quem levar mais gente ganhará um MP4", disse.
A turma da Palhada aguarda ansiosa a chegada do domingo para dar um show que certamente ficará na memória de todos. Quem estiver lá, vai conferir a nossa animação, certamente.
A luz de Cacuia
Por: Tatiana Sant’Anna, Caroline de Alcântara e Pedro Henrique
“Ah, sai da frente!
Sai que o Cacuia é chapa quente!
Força e união, o Cacuia é campeão!”
Esse será o grito de guerra cantado pelas turmas A, B, C e D no dia do encerramento do projeto Minha Rua Tem História, na Vila Olímpica de Nova Iguaçu. A emoção tomou conta de quem estava presente. Inclusive os jovens repórteres que estavam cobrindo este grande encontro.
A oficina iria começar às 17h30, mas às 17h15 o Morro da Moenda estava coalhado de jovens vestidos com a camisa branca do projeto. Era possível identificá-los à distância, enquanto subiam a ladeira em direção à Rua Jardim, onde se encontra a comunidade evangélica do Pastor Carlinhos no qual funcionam as oficinas. Animadíssimos, iam de moto, ônibus, bicicleta ou mesmo a pé.
A sala onde acontecem as oficinas ficou pequena para os mais de cem jovens que lá estavam. Espremidos, apertados, alguns no corredor à espera de uma vaga na sala, eles prestavam atenção nas informações passadas pelas assistentes Andréia e Josédina, e pela oficineira Sibila. Parecia que no centro da sala havia pastores, não os facilitadores do projeto “Minha rua tem história”. A superlotação da sala e a falta de luz no bairro obrigaram a oficineira a conduzir os jovens para a laje do templo, onde os jovens acompanharam a produção para o evento do próximo domingo enquanto o sol se punha por trás do Morro da Moenda. A laje do templo chegou a tremer enquanto os jovens cantavam e pulavam. O barulho intenso atraiu os vizinhos, que, da janela, tiravam fotos dos jovens.
“Estou ficando sem voz”, disse a oficineira Sibila aos jovens, que não paravam de falar.
A animação terminou contagiando o jovem repórter Pedro Machado, que deu um show de malabares antes de os participantes da gincana social escolherem o grito de guerra que a turma irá apresentar no domingo e as turmas C e D dia ensaiarem a apresentação do bairro no festival do minuto.
“Cacuia turma C, mais que vencedor, o prêmio é nosso”, diz a faixa que será apresentada no dia. Alguns grupos deverão se reunir às 14h30 em Austin, de onde partirão para a Vila Olímpica. Outros grupos combinaram de ir de ônibus.
A luz chegou no final da oficina, quando a maioria já tinha ido embora.
Rancho Novo sai do chão
Por Aline Maciel, Aline Marques,Camila Elen, Evan de Paula, Jéssica Mendonça, Leonardo Venancio, Maicon Cristian e Thiago Grache.
O oficineiro Tiago Costa e suas assistentes Lilian Batista e Ana Luzia reuniram, em uma grande roda, os alunos das quatro turmas do Rancho Novo, na tarde dessa terça-feira, 23 de setembro
De mãos dadas, todos formaram um grande círculo no centro do pátio do colégio Osires Neves, um dos 17 palcos para o grande show dos participantes da primeira gincana social brasileira. Os jovens ali reunidos pertenciam a turmas diferentes, mas naquele momento todos só tinham um objetivo: saírem vencedores da gincana "Minha rua tem história" no próximo domingo, no grande evento da Vila Olímpica.
E como onde tem jovem, tem bastante animação, barulho e brincadeiras, com a galerinha do Rancho não poderia ser diferente, né?! As turmas mais empolgadas eram a A e B, onde os flashes das máquinas digitais estouraram com freqüência para que os jovens tirassem fotos dos amigos que fizeram nessas semanas e até mesmo dos colegas que conheceram naquele dia. Mas, na hora de falar sério sobre a gincana, eles rapidamente ficavam quietos para escutar o que o oficineiro Tiago tinha a falar.
Os representantes de cada uma das turmas foram ao centro da roda e expuseram os projetos escolhidos pelo seu grupo, que todos ouviram com muita atenção. Todos estavam dispostos a mostrar na prática as idéias veiculadas nas músicas e nos gritos de guerra entoados pelas turmas do Rancho Novo. Ali é um por todos e todos por um.
Após as apresentações das turmas e dos projetos, começou a escolha do grito de guerra. Foi uma farra só até que a idéia sugerida pelas turmas A e B, que trabalharam em conjunto, fosse consagrada pelo júri formado pelo oficineiro, os assistentes e nós, jovens repórteres.
" Minha rua tem história e trago no coração.
Para os demais eu digo:
Rancho Novo é campeão!
Sai do chão, sai do chão
Rancho Novo é campeão!
Sai do chão, sai do chão
Rancho Novo é campeão! "
Depois do grito de guerra escolhido, o restante da galerinha passou a anotar a letra e prometeram fazer muito barulho no domingo. Mas o Rancho Novo, além da força dos projetos já apresentados e do grito de guerra, vai marcar sua presença na Vila Olímpica com as perucas, cartolas, anteninhas e gravatas que pretendem usar na grande final do "Minha rua tem história".
Como já é costume das turmas do Rancho Novo, os mais de 100 jovens daquelas turmas se juntaram no centro da roda e, com as mãos unidas, deram o grito de guerra do término de todas as oficinas: "MINHA RUA TEM HISTÓRIA!!!"
Os Jorges, as Gláucias, as Priscilas e as Larissas da Prata
Para jovem repórter, grande mérito do projeto foi acreditar no sonho dos jovens
Por Larissa Leotério
Hoje, 23 de setembro, foi o último dia do projeto "Minha rua tem história". E tantas histórias me comoveram. E quando vi as turmas juntas, percebi que não são apenas os sonhos que pude ouvir e escrever. São muitos os Jorge’s, as Gláucia’s, as Priscila’s, Alessandra’s, Samuel’s e Monique’s. São muitos os sonhos, e eu não pude escrevê-los todos. Mas, de certa forma, pude conviver com eles, com esses jovens sonhadores, que me fazem acreditar em algo maior. Que nos fazem acreditar que tudo isso aqui tem sentido.
Domingo, teremos a gincana de encerramento desta etapa do projeto e, certamente, lá estarão todos eles. Incrível constatar isso: mantivemos milhares de jovens empolgados, demos alguma perspectiva de futuro a eles. E dá um orgulho muito grande dizer que participei disso. Eu. Só uma jovem repórter, mas... Só isso? Não! Eu estive lá. Estive na ponta. Tive contato tanto com o objetivo do projeto desde o começo quanto com os oficineiros, assistentes, companheiros jovens repórteres e com eles, o nosso objetivo: os jovens da cidade.
Foi emocionante esse último dia com eles. Perceber tantas coisas, tantos ângulos que me escaparam por dias. Talvez, pela correria, pelas dificuldades das entrevistas, pelas preocupações com o tanto que havia a ser feito. E, no entanto, nesta terça-feira, dia 23 de setembro, pude perceber novamente os Jorge’s, as Gláucia’s, as Priscila’s, Alessandra’s, Samuel’s e Monique’s que estiveram presentes e que, com certeza, fizeram toda a diferença. Os sonhos do jovem que escreve rap’s, os sonhos das nossas jovens mães que levam seus filhos para as oficinas, e do dançarino, e da menina do projeto social, do rapazinho que tira uma hora na padaria em que trabalha para vir fazer um curso profissionalizante... Nada disso haveria senão por eles. As coisas não teriam dado tão certo, nossas oficinas não seriam tão animadas, tão dinâmicas.
O dinamismo do projeto, quase me passa despercebido o assunto. Bacana reparar também é que tudo acontece ao mesmo tempo e agora no "Minha rua tem história"! Difícil acompanhar tudo. Mas mais difícil é não se envolver com esse clima, com essa coisa boa. A esperança. Nada está perdido e sem falsa modéstia, nós, jovens, somos a engrenagem disso tudo. Somos quem pode fazer tudo funcionar. O fôlego da juventude, a animação e o vigor. Só precisamos fazê-los acreditar, acreditar que nem tudo está perdido e que, se forem atrás do que acreditam, podem transformar realidades, a começar pela própria. A mudança e a transformação começam por nós, dentro de nós. E só nós juntos, como aconteceu nessa primeira etapa, podemos transformar. Vimos o diferencial da unidade, das parcerias. E isso ainda vai se refletir, e muito, no futuro. Esperamos fazer a diferença para essa geração.
Estou orgulhosa de verdade por ter participado disso. Orgulhosa do meu município, das pessoas que moram aqui, das que tomaram essa iniciativa e contribuíram para que tudo acontecesse. Nova Iguaçu ainda vai ensinar a educação ao Brasil...
Orgulhosíssima Jovem Repórter
Entusiasmo tropical
Por Camila Oliveira
Na última terça feira, dia do encerramento das oficinas do projeto “Minha rua tem história”, presenciei uma das cenas mais lindas e contagiantes dessa minha trajetória como jovem repórter. Ao olhar aquele pátio com mais de cem jovens unidos e reunidos, senti uma energia tão vibrante e positiva, que compensou todo e qualquer esforço que enfrentei para chegar ao fim de mais esse projeto.
O melhor e mais emocionante momento foi a apresentação das músicas que compunham, para que uma delas se tornasse oficialmente seu grito de guerra. Logo na primeira apresentação era perceptível ver, nos olhos daqueles jovens, o orgulho e o entusiasmo por estarem apresentando algo criado por eles.
Finalmente parecia que estavam entendendo a importância que têm na sociedade, o tamanho da sua capacidade e até onde ela pode levá-los. Na verdade, acho que é bem mais que isso, vai muito além de saber até onde podem chegar, mas eles ganharam a convicção de que podem realizar grandes e numerosos feitos sem limitações, percorrendo um caminho que somente eles é que podem determinar se vão ou não seguir adiante.
Ao cantarem os gritos de guerra propostos, a alegria tomava conta dos seus corpos e logo podiam se ver aqueles pés se movimentando com batidas tímidas no chão, um de cada vez, ganhando um ritmo cada segundo mais acelerado, as palmas iam ganhando mais força e volume e rapidamente todos estavam envolvidos harmoniosamente naquele ritmo contagiante.
A farra era tamanha, que mal pude conter minha emoção e a empolgação que eu estava por fazer parte daquele grupo. Tive que me segurar para não entrar naquela roda e cantar e pular junto deles, mas quando menos esperava, o oficineiro chamou os jovens repórteres para o centro da roda e falou aos demais sobre o nosso trabalho. Sua intenção naquele momento foi mostrar ao pessoal do Pro Jovem que poderiam ir muito além, conscientizando-os de que nós, jovens repórteres, não estávamos ali por acaso e que desempenhamos um papel importante para a sociedade, papel esse que poderia ser desempenhado por cada um deles ali presente. Jamaica também explicou que todas as histórias trazidas por eles não foram em vão, havia uma finalidade, uma utilidade para a sociedade, simbolizando apenas o começo de uma grande e positiva mudança na história de Nova Iguaçu, na qual cada um deles é o principal protagonista pela construção desse memorável banco de memórias.
Essa certamente foi uma experiência gratificante e marcante na vida de cada um de nós, jovens, repórteres, oficineiro e assistentes, todos aqueles que tornaram realidade esse maravilhoso projeto, cada um com sua função desempenhou um papel de suma importância para que isso desse certo. Todos nós aprendemos muito mais do que transcrever histórias vividas por nós, ou representá-las de alguma forma fora do papel.
Enfim, essa convivência nos conscientizou do poder que temos nas mãos como cidadãos, fazendo-nos perceber como é possível mudar o rumo de nossas vidas sem ter que esperar que alguém nos diga o que e como fazer, mostrando-nos que temos potencial como qualquer pessoa independente do nível de instrução ou condição financeira que tenha, alertando-nos sobre a capacidade que todos temos para mudar aquilo que não está bom, mas acima de tudo fazendo-nos enxergar que sozinhos podemos alcançar alguns objetivos, mas juntos podemos alcançar qualquer um independente das circunstâncias. Certamente, uma experiência mágica que farei questão de carregar para sempre dentro do coração e da mente, além de pôr em prática tudo o que aprendi sobre a vida, com tantas outras vidas tão diferentes e ao mesmo tempo iguais a mim.
Só viu quem estava lá
a vida dele
Por Luiz Felipe Garcez
Não sei. Tanto que essa é a quarta tentativa de contar para vocês como foi a última oficina de Prados Verdes. Se o ditado diz quem viver verá, só quem estava naquela terça-feira pode ter noção da energia, do sentimento, da emoção e da vontade de mudar que impregnava o ar.

O projeto Minha Rua Tem História de Prados Verdes tem “o dedo” de cada jovem que participou, e isso inclui os assistentes Fernando e Elisangela, o oficineiro Mozart Guida e eu, Luiz Felipe Garcez, o jovem repórter. Cada um deu sua parcela de contribuição para que o Minha Rua desse os frutos que deu ao “final”, entre aspas mesmo, afinal as oficinas na escola municipal José Reis podem ter acabado, mas as conseqüências marcaram uma juventude inteira e continuará dando frutos enquanto o sentimento criado nas oficinas existir e for propagado.
Falando em propagação, esse foi o método que possibilitou as oficinas acontecerem. Por erros, naturais de acontecer, os alunos do Pro Jovem de Prados Verdes não foram avisados que deveriam se inscrever no Minha Rua no dia J, na Vila Olímpica, e a responsabilidade de entrar em contato com eles via telefone ficou com o Fernando e a Elisangela. Mas esse contato foi inútil, pois nem 10% dos telefones eram corretos. O jeito foi divulgar no improviso. E a primeira oficina aconteceu com três jovens, a segunda com seis, a terceira com 12 e por ai em diante, até o impressionante número de mais de 180 jovens inscritos. Graças à aceitação da comunidade, aos cartazes feitos à mão pelo Fernando, pela Elisangela e pela Hellen (aluna do Pro Jovem), e aos próprios alunos, que fizeram a divulgação boca a boca. Algumas oficinas foram realizadas enquanto eu, Fernando, Hellen e Elisangela conferíamos os documentos dos jovens que estavam se inscrevendo.

O projeto Minha Rua Tem História de Prados Verdes é a exata representação do projeto como um todo: foi sendo construído a cada dia, a cada gota de suor, a cada jovem novo que chegava com uma esperança. E nesta terça-feira, que encerramos com uma pequena festa com a contribuição de cada um, a sensação era de trabalho feito. A festa não poderia ter sido melhor. Os abraços sinceros recebidos então, nem se fala. O depoimento de um dos jovens, no meio da comilança e totalmente improvisado, dizendo que havia conseguido um emprego graças ao que aprendeu no Minha Rua Tem História, foi mais do que suficiente para causar a comoção geral, que já estava à flor da pele.
Mozart Guida falou aos alunos de sua experiência, de sua satisfação com aquele trabalho construído dia a dia, e me deu a palavra. Falei a eles que no começo achava que Prados Verdes era um bairro marcado apenas pela distância do centro de Nova Iguaçu e pela violência. Falei que a cada oficina que acontecia eu me sentia mais à vontade, mais em casa. Sentia que ali estava sendo construída uma família. Disse a eles que hoje tinha uma visão totalmente diferente de Prados Verdes e que essa mudança de pensamento não poderia ficar apenas comigo, que eles tinham que mostrar a Nova Iguaçu e para o mundo que Prados Verdes tinha valor e me utilizando de parte do discurso do Mozart, disse que eles iriam se formar no curso profissionalizante do Pro Jovem, mas que o sentimento de mudança e as atitudes que transformaram a vida de cada um ali e suas famílias não podia parar.Saí de lá com a sensação de que um dia irei voltar, e será logo. E que Prados Verdes nunca mais será a mesma. Com muito orgulho de ter sido o jovem repórter de Prados Verdes, me despeço.
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
As traças de Jardim PernambucoNem queiram saber o quanto esse povo come. As mais de 10 garrafas de refrigerante e os vários petiscos foram devorados em questão de minutos, na festa de despedida das turmas de Jardim Pernambuco. A foto, tirada por Jéssica Oliveira com o celular de Flávia Ferreira, mostra apenas parte dos jovens presentes nas oficinas de preparação para o evento do próximo domingo. O restante se escondeu da câmera.
Teve até parabéns
Por Flávia Sá
Chegou o dia em que os alunos tiveram que se despedir do projeto Minha Rua Tem História. Os jovens de Rodilândia não fugiram à tradição e levaram refrigerantes e salgados para a Escola Municipal Odir Araújo. Teve até bolo de aniversário de chocolate, em homenagem a uma das participantes da gincana.
Era a primeira vez que as quatro turmas do bairro se reuniam, e as lentes dos celulares e das máquinas digitais funcionaram a todo vapor. As duas assistentes (Elisângela e Crisitiane) e o oficineiro (Jorge) estavam lá. Eles fizeram as honras da casa, dando o melhor de si para quebrar o gelo entre aqueles que estavam se conhecendo ali. Havia felicidade nos olhos.
Mônica da Silva Lima estava se sentindo dividida. "Estou feliz e triste ao mesmo tempo", disse ela. A tristeza se devia ao fato de que perderia de vista a maioria dos jovens, que iriam fazer cursos diferentes no Pro Jovem Trabalhador. "Vou sentir muita saudade dos amigos que fiz." Mas ela também contabiliza, e isso a deixa feliz, a oportunidade de aprender coisas novas. Ela gostaria de ser repórter do blog, que adorou.
O projeto ensinou Lílian dos Santos a dar mais valor tanto ao bairro quanto à rua em que mora. "Passei a conhecer melhor as pessoas que passam por mim na rua", disse ela, que antes do "Minha rua tem história" praticamente as ignorava.
Luana Mendes, a menina que contou a historia da árvore grávida, expôs sua emoção ao falar do fim do projeto e a sua certeza de que a turma dela irá ganhar o MP4. "Estou botando muita fé no projeto da biblioteca comunitária", disse ela. O grupo vai cantar um rap no próximo domingo divulgando a biblioteca do seu bairro, de que é voluntária.
A assistente Elisangêla me disse que foi um trabalho estafante, com muitas reuniões de formação e grandes responsabilidades com o grupo de jovens, algumas delas burocráticas. "Mas estou feliz com o resultado", disse. Além de achar que o projeto foi muito proveitoso para os jovens, Elisangêla fez amizade com alguns deles. "Adorei o João e principalmente a Talita, que é muito comunicativa."
A assistente Cristiane também só tinha a elogios ao projeto "Minha rua tem história". "Espero que a segunda edição comece logo, e que eu seja convidada para trabalhar nele de novo."
Uma Alvorada cheia de estrelas
Por Priscilla Castro
Seus olhos esta noite presenciaram algo que nem sempre vêem. Não vou dizer que a noite estava bela, pois não seria verdadeiro; ela estava meio fria e tinha no céu algumas nuvens e pouquíssimas estrelas, talvez porque elas tenham descido e se juntado a nós nessa grande confraternização. E toda constelação tem o poder de iluminar os mais longínquos lugares.
Todos aqueles jovens reunidos, as três turmas do bairro Jardim Alvorada, sem dúvida iluminaram o pátio escuro e mórbido daquela escola.
Hoje, vi naqueles rostos, que tem entre 18 e 24 anos e muitos sonhos pela frente a realizar, a alegria de estarem participando da construção da identidade iguaçuana. Foi justamente de sonho que falou a oficineira, num tom emocionado e quase embargado. Ressaltou a importância de sonhar e lutar por nossos sonhos. “Não vamos perder o foco dos nossos sonhos”, prega.
A oficineira é maestro, líder de torcida e general. E como num campo de batalhas ela adverte os meninos exclamando: “Soldado que entra na guerra desanimado , morre!” A presença feminina é maciça no grupo e elas estão mais animadas que os rapazes. Acho que não há mais lugar para os homens na liderança.
Desmistificando a atual e quadrada idéia de que o “jovem de hoje” é alienado e não quer participar de nada, eles se organizam e trocam idéias sobre o que farão no dia do encerramento do projeto. Em uma dessas trocas de idéias, um jovem sugere um grito de guerra e é vaiado ao cantar “morro da Alvorada”. Alguém sugere outra letra, eles batucam as mesas ritmicamente, me fez lembrar a concentração de uma escola de samba. Depois cantaram, como num coral evangélico de filme hollywoodiano, a palavra Alvorada.
A criatividade deles não pára por aí. Ainda fizeram um rap cuja letra não aborda a sexualidade, nem o tráfico ou a violência de uma periferia qualquer, mas sim o próprio projeto. Creio que quem estiver na Vila Olímpica de Nova Iguaçu, no dia 28 de setembro, sairá de lá embriagado com a alegria do Alvorada. No dia não vão faltar pompom, peruca colorida nem chocalho.
Vanderléya tem experiência de uma mulher de quarenta anos (ao anunciar que é seu aniversário na quita-feira, todos comemoram) e a força esfuziante de uma mulher de vinte. Os jovens têm capacidade e talento, mas precisam ser estimulados, atiçados. Necessitam de um líder que os entenda, de uma liderança enérgica como a dela.
Lamento apenas que esse momento não tenha sido filmado. Pois é algo que deve ser registrado de todas as formas, para que todas as pessoas possam sentir a mesma vibração que senti neste dia. Eles batucaram, cantaram, assobiaram e gritaram uhu!
Saí de lá contaminada por aquela energia jovial e despreocupada de quem se joga sem medo de cair, e ao mesmo tempo ansiosa por testemunhar o grande dia que está por vir.
Por Louise Teixeira
Nesta Terça 23, as três turmas da Prata se encontraram para discutir os últimos detalhes da gincana de domingo, na Vila Olímpica de Nova Iguaçu.
Projeto selecionado, gritos de guerra ensaiados.
Mas os jovens ainda não respiravam aliviados. Os ocupados e menos interessados e animados ficaram para resolver os últimos detalhes.
A caracterização e apresentação de 1 minuto precisam de muita dedicação para ficar impecáveis.
Os meninos resolveram que vão dançar. Mas fizeram "doce" e esconderam do restante a coreografia.
Enquanto eles ensaiam a dança surpresa, algumas meninas, muito empenhadas,discutem a parte delas - elas estão responsáveis pelo figurino e pelo agito da torcida.
Mas, como os meninos, vou fazer surpresa...
Está tudo decidido na Prata.
Todos estão animados e confiantes.
Dia 28, não tem pra mais ninguem na Vila Olímpica!
Por Leandro Furtado
Noite de terça-feira 23.
Última oficina antes da grande gincana que acontecerá na Vila Olímpica.
As turmas A, B e C se juntaram para colocar em prática sua tática de guerra.
Cerca de 100 jovens fizeram uma roda no Pátio.
Todos cantavam em alto e bom som.
"A união chegou // chegou para ganhar // com o bairro aqui da Prata // a chapa vai esquentar // e ninguém cala esse chororô // E é por isso que eu canto assim // A Prata já ganhou"
A jovem repórter Louise Teixeira gostou tanto da idéia que começou a ensaiar uma coreografia na sala de aula com as meninas do projeto.
Fernando Marendaz, assistente das oficinas no colégio Menino de Deus, achava que os alunos iam desistir logo na segunda semana de aula.
Mas eles ficaram.
"Tive muita vontade de dar aula - conta ela. - Aprendi muita coisa. Pude ver muitas mães. Fiquei impressionado com a raça dos jovens. Etou saindo daqui com outra cara. Ganhei muitos amigos. Vou sentir falta.
Surpresa na Alvorada
Por Luiza Alves
Na reunião realizada pelo grupo de Jardim Alvorada nesta terça-feira
Esse projeto, a contrapartida social dos jovens que estão participando do Pro Jovem, foi de muito valor para Jardim Alvorada. Além de permitir que os jovens resgatassem as memórias do bairro, gerou uma renovação cultural aos mostrar um passado que poucos conheciam ou se lembravam.
O projeto que vão apresentar no próximo domingo, na Vila Olímpica de Nova Iguaçu, é uma surpresa que, se executado fielmente, trará de volta uma de suas grandes fontes de entretenimento e até mesmo de cultura.
Os voluntários estavam tão animados que criaram músicas, gritos de guerra, passos de dança, enfeites para chamar atenção. Eles realmente estavam muito ansiosos para fazer bonito na vila Olímpica. É incrível ver como esse projeto conseguiu reunir tantos jovens em torno da cultura. Nas oficinas, vêem-se jovens com garra, força de vontade, mais competitivos e sempre dispostos a fazer algo pelo grupo. Realmente essa primeira parte foi de extrema importância para eles, trazendo-lhes valores que já tinham esquecido.
Minha rua tem opinião de jovem repórter
Após a boquinha, jovem repórter se emociona coma festança
Por Marta Batista
A confraternização foi bastante animada. A mesa estava repleta de doces, salgadinhos e refrigerantes. Os alunos das quatro turmas conversavam animadamente. Após comerem e conversarem bastante, eles acertaram os preparativos de domingo.

Algumas mamães levaram seus filhos, como Ivanéia de Santana Pereira, que levou a pequena Adrielle, de apenas dois aninhos. Também tivemos a lindinha Joyce com um ano e três meses, filha de Deisiane Bernardo da Costa e, finalmente, conhecemos Robson, o lindo bebê de Arlete, "a mamãe geógrafa".
Faltam palavras para expressar como foi emocionante ver todos aqueles jovens vindos das mais diferentes e encantadoras experiências ali, juntos, animados em busca do mesmo propósito. O projeto "Minha rua tem história" foi muito importante, fez os jovens resgatarem uma memória, e não somente isso, mas também divulgar todas essas histórias que certamente cairiam no esquecimento. O projeto deu ao trabalhador iguaçuano a oportunidade de ver a sua história contada por pontos de vista semelhantesao seu.

A oportunidade de acompanhá-los foi maravilhosa, e é ótimo ver que ainda existem jovens em nosso país engajados por um ideal comum e benéfico a todos. Parabéns a todos nós e que no domingo vença o melhor, porque ótimos todos foram.
Minha rua tem quitute
De boca cheia, jovens confraternizam o início de grandes amizadesPor Marta Batista e Wesley Machado
O encerramento das oficinas do projeto Minha Rua Tem História teve sabor de salgadinho recheado com emoção. Na última terça-feira, a dupla de oficineiras Michele Vieira e Mônica teve um trabalhão para comer um pouquinho de cada quitute levado pelos jovens do Bairro da Luz.
"Eu comi a pizza à calabresa da Amanda e
os salgadinhos da Dani Avidalli. Ah! Tinha também um brigadeiro maravilhoso, só que quando fui comer, já havia acabado", conta Michele, desolada. "A Mônica que comeu de tudo. Ela não saiu de perto da mesa", acrescenta Michele, entregando a amiga assistente. Em clima de festa, os jovens celebraram o fim do projeto e o início de uma grande
amizade, já que muitos deles não se conheciam antes de participarem das oficinas do Pro Jovem. Parecia a estréia de um grande espetáculo, onde todos os personagens da obra se reuniram para ver o resultado positivo alcançado. Essa festa já estava sendo aguardada com ansiedade pelos jovens do Bairro da Luz, que passaram a semana preparando este grande encontro.

A confraternização começou com a corda toda. Mas também, como não se animar com uma mesa cheia de coisa gostosa pra comer?
Até os jovens repórteres Wesley Machado e Marta Batista esqueceram a etiqueta em nome da boa culinária. "No meio de tanta coisa boa, que os patrões me perdoem, mas nem nós, repórteres, pudemos resistir. Não dá para ficar escrevendo enquanto a festa rola solta", confessa o jovem repórter Wesley Machado, respondendo também pela jovem Marta Batista, ocupada com um enorme croissant.

O sucesso do projeto é inquestionável. E, depois de tanta fofoca sobre as ruas, não ficaram dúvidas de que a nossa, a sua, a "minha rua tem história". E que vença a melhor.
Embarcando na máxima de que uma imagem vale mais que mil palavras, nossa matéria termina com fotografias que ilustram o clima gostoso e amigável que tomou conta da Escola Municipal Julio Rabelo. Viaja só!
Rodilândia falando para Rodilândia
Luana Mendes da Silva
A gincana social "Minha rua tem história" está valorizando a história de nossas vidas, pois nossas lendas, curiosidades e histórias enfim chegaram aos ouvidos e aos olhos dos moradores do bairro. Apresentar de forma diferente e criativa nossa história é levar nossa cultura ao conhecimento de todos.
As propostas de tarefas eram muito construtivas e nosso oficineiro, Jorge, era bastante criativo e atencioso. Suas aulas eram divertidas, pois tínhamos a oportunidade de revelar histórias, necessidades e melhorias do bairro. Mas o mais interessante foi conhecer pessoas com ideais diferentes que, juntas, mostravam plena capacidade de fazer grandes transformações em nosso município.
Suas dinâmicas nos faziam refletir sobre a importância do meio em que vivemos, desenvolvendo em muitos a socialização, interação e afetividade. Houve uma grande revelação de potenciais, jovens construíram e apresentaram em apenas dez minutos rap, peça teatral e teses defendendo a importância do trabalho voluntário e uma grande divulgação de nossa biblioteca comunitária.
A comemoração da realização dessa gincana foi para muitos a oportunidade de registrar, aprender e divulgar nossa história, podendo fazer parte da história de Nova Iguaçu. Para outros, foi a chance de se capacitar e conhecer novos horizontes.
Nossa turma está bastante animada, pois confiamos no potencial do nosso projeto sociocultural e impacientes para avaliação de nossas redações.
Jovem troca marido ciumento por um futuro melhor
em Jardim Pernambuco
Por Flávia Ferreira, Evio Nobre e Jéssica Oliveira
O projeto não foi só um espaço de revelações, mas também de descobertas. Foi possível aprender com as oficinas que as nossas histórias são o nosso registro, e a nossa marca. Tudo aquilo que vivemos em um passado distante ou próximo irá moldar aquilo que iremos viver em um futuro próximo. Devemos nos orgulhar daquilo que somos, sabendo que nossas histórias são experiências únicas.
Da mesma forma que Silvano Rodrigues, os jovens de Jardim Pernambuco se emocionaram e se descobriram como moradores da cidade. "Com essas oficinas, pude conhecer melhor meu bairro e as obras que acontecem nele", diz o jovem Jefferson Vinicius. "Não imaginava que o governo fosse fazer um projeto aqui, pois nunca chega nada por essas bandas." Para ele, foi a melhor coisa que aconteceu, porque não tinha nada para fazer durante a noite e indo para as oficinas não apenas aprendeu várias coisas, como conheceu pessoas maravilhosas.
O mesmo aconteceu com Adriana Vasconcelos, que viu a chance de sair de casa à noite, o que até então não tinha costume de fazer. "Aqui conheci novas pessoas, revi amigos e voltei a falar com pessoas das quais tinha me distanciado ." Em uma das oficinas, ela chegou a expor intimidades. "Me senti à vontade para isso", disse.
Dayana Lessa Santos foi uma das ganhadoras das dez horas de acesso gratuito à internet, em uma lan house do bairro. Ela não esperava ser premiada por sua “História do pé de acerola”, e estava chateada com o que havia acontecido anteriormente em sua casa. "Discuti em casa por conta do projeto e quando fui premiada pensei: 'caramba como pode?' Fiquei muito surpresa", disse ela com um sorriso de felicidade.
As discussões em casa por conta do projeto foram além de simples desavenças. "Meu antigo marido pediu para que eu escolhesse entre ele e as oficinas", disse Dayana, que não se arrepende de ter terminado o casamento. O ex-marido de Dayana era muito ciumento e a seguia até o curso. Aborrecida com tanta desconfiança, abriu mão da união em prol de seu aprendizado. "Vim para cá e não imaginei que isso iria acontecer. Um dos muitos aprendizado que Dayana leva é que nunca é tarde para recomeçar.
Em um mês de oficinas, Lilian da Anunciação aprendeu a não deixar as oportunidades passarem. "Quando estava vindo se inscrever, passei na casa de uma amiga e a chamei, mas ela não se interessou, e depois se arrependeu", disse ela toda sorridente. Lilian chegou ao projeto com muitas expectativas e muita vontade de fazer o curso e assim conseguir oportunidades de trabalho. "Vi nesse projeto uma chance de aprender algo e crescer um pouco. Agora sei que primeiro temos que experimentar, porque o que para alguns é insignificante, para outros é uma porta que se abre", disse, emocionada.
Oficineiro não chora
Por Flávia Ferreira
Aqueles que pensam que homem não chora mudariam completamente de opinião se presenciassem o último dia das oficinas do Jardim Pernambuco. Surpreendendo a galera, o oficineiro Silvano Rodrigues da Costa se desmanchou em lágrimas ao lembrar que a primeira gincana social brasileira estava chegando ao fim. "A cada dia eu me emocionava mais com essas turmas", disse ele, fisioterapeuta por formação. "Hoje é o último dia de encontro aqui na escola, mas já bate uma saudade e um aperto no coração." Mesmo sabendo que o projeto vai continuar, ele duvida que as novas turmas possam surpreendê-lo tanto. Em uma das oficinas de formação chegou a declarar que nascera para fazer esse trabalho.
Na hora em que a confraternização das turmas teve inicio, a brincadeira começou, mas só até Silvano começar a falar do tempo que passou com os jovens. “Quase fui parar no bairro da Cobrex, mas pelas cismas do destino acabei vindo para um bairro que não conhecia. À medida que as oficinas foram acontecendo, ele notou que aquele lugar frio, escuro e aparentemente hostil seria o seu cantinho de descobertas . "Eu não esperava encontrar jovens tão atentos e dispostos a mudar sua história, ou melhor, jovens que sentem orgulho de suas histórias. Minha visão de mundo se modificou", disse um emocionado Silvano.
Silvano se surpreendeu com o modo como foi recebido, mas o que ele não esperava mesmo era encontrar jovens tão ligados às raízes familiares do bairro e atentos a tudo que estava acontecendo. "Eu não esperava encontrar o que encontrei aqui, me surpreendi a cada dia", disse, com a voz embargada.
Silvano fez questão de abraçar um por um ao longo da festa de despedida, para a qual os jovens levaram refrigerantes e salgadinhos. Mais uma vez não conteve a emoção e se debulhou em lágrimas. "Uma família se separa, mas os laços que se formaram no convívio do pequeno espaço escolar e que muitos não imaginavam que seria assim, ficarão para sempre", disse ele.
Minha rua tem emoção
Símbolo do projeto Jovem Repórter troca a objetividade dos fatos e faz uma leitura subjetiva do projeto que está mudando a vida da cidade e a dela
Por Flávia Ferreira
Como foi difícil largar minha rotina para “entrar de cabeça” num projeto para mim extremamente complexo. A convivência constante com os outros jovens, alguns velhos conhecidos, outros que se tornaram amizades, despertou o desejo de me entregar, e tornar agradável o convívio nestas quatro semanas.
No inicio foi difícil. Como é complicado se adaptar a novos ambientes, a novos ciclos. Tive de aprender tudo novamente. Foi um difícil período de adaptação.
Assim como tantos jovens que participaram das oficinas, eu não acreditava ter algo que interessasse a alguém, ou a mim mesma. Aprendi muito mais do que imaginava. Lembro das noites em que fiquei lendo histórias e trazendo-as para minha vida, a ponto de me emocionar com alguns casos em especial.
Foram madrugadas e madrugadas, lendo, relendo, digitando, pensando, driblando o sono. A cama quentinha era uma tentação. Ficava “ligada” com goles e mais goles de café, ouvia os passos de minha mãe preocupada, sempre no “meu pé”. No entanto, cada gota deste sacrifício valeu a pena e cada momento em convívio com outros jovens foi de enorme importância para meu aprendizado, um trunfo para meu futuro, na construção de minha cidadania.
Lembro da fala do Faustini e da Maria Antônia que com orgulho defendiam a idéia de um projeto que, para alguns de meus amigos e para mim, era coisa do outro mundo. Mas, pouco depois, percebi o quanto era importante que escrevêssemos nossa história, a real, a que os livros de história não contam, a do nosso povo. A história daqueles que ficaram à margem da história, dos esquecidos da versão oficial. As lembranças daquele que acorda com o canto do galo para pegar o ramal Japeri todos os dias no mesmo horário, levando carinhosamente sua “quentinha”.
Essas histórias foram enfim contadas e fico feliz por ter participado e me emocionado, pois existem coisas que vocês jamais saberão como é, pois nem mil caracteres e nem as ondas de minha voz descreverão. Minha emoção é maior do que meu bairro, é maior que minha cidade, meu coração é o meu país. Somente os que viveram esta experiência sabem e sentem como a história da cidade é criada no papel de barro ou piche e com canetas de borracha ou até na própria pele. Por todos aqueles que de fato, ajudam a construir um Brasil melhor e mais justo.
Festa do afeto

Última oficina do Jardim Tropical foi uma grande festa
Por Camila Oliveira
Fotos: Cássia Aparecida
Hoje foi uma terça-feira diferente para os jovens do Jardim Tropical, pois estamos chegando à reta final do "Minha rua tem história".
Logo que cheguei à escola havia uma média de cinqüenta jovens reunidos em um círculo no pátio. Ver tantos jovens reunidos me deixou impactada. Mas para minha surpresa esse número só aumentava com o passar do tempo, e ao fim da oficina tínhamos cerca de cento e cinqüenta alunos reunidos naquele pátio. Aquela paisagem humana era linda e acima de tudo contagiante. A energia daquele local era sensacionalmente positiva, e nos inspirava a participar da construção e evolução daqueles projetos.
No começo da oficina, a assistente, Paula, conversava com eles, falando-lhe sobre o projeto e outras questões envolvendo suas bolsas. Pedi permissão à assistente e conversei com pelo menos uma pessoa de cada turma. Queria que compartilhassem comigo um pouco a respeito de seus projetos. Na turma A, soube que pretendem fazer uma exposição de fotos mostrando o bairro antes e depois das obras do PAC. Além das fotos, o projeto da turma A tem o objetivo de mostrar torneios e entrevistas com os moradores antigos através de uma filmagem.
Outro recurso seria a construção de uma árvore composta por eles mesmos. Essa idéia surgiu logo no começo do projeto, em uma oficina de que eu mesma participei. Essa árvore seria construída por seus próprios corpos da seguinte forma: os alunos se deitariam no chão no formato de uma árvore, cada um deles vestido com a cor correspondente à parte da árvore em que se posicionariam. Os frutos seriam representados por pompons. Lembro-me de tê-los visto representando essa árvore em uma das primeiras vezes que fui à oficina. Foi uma idéia muito criativa e que acima de tudo mostra como está a interação, criatividade e espírito de equipe daquela turma.
Na turma B, o projeto gira em torno da história de Jardim Tropical, desde seus primeiros habitantes até o crescimento econômico e social do bairro. A turma pretende produzir um documentário com as pessoas que participaram ativamente do processo de desenvolvimento do bairro. Com base nessas informações, farão uma animação para ser exibida com o documentário.
Hip Hop composto por eles no início do projeto:
“A árvore”
A árvore em busca da sua sobrevivência (2x)
Folhas, frutos, semente e raiz / Nesse mundo existe um valor que não se diz
Regar, plantar e colher / Nesse vai-e-vem só quem ganha é você
A árvore em busca da sua sobrevivência (2x)
Goiabeira, mangueira e amendoeira / Não fique aí parado de bobeira
Aprender, nunca é demais / É por isso que o Pro Jovem cada vez aumenta mais
......
O projeto da turma D teve como foco o esporte, a cultura e o lazer. A idéia inicial é a de buscar informações sobre os locais que oferecem esses recursos e posteriormente divulgar no bairro. Para os jovens da turma D, os moradores desconhecem as atividades existentes na comunidade. Eles conceberam esse projeto depois de uma visita à associação de moradores e amigos do bairro, onde descobriram cursos de teatro, capoeira e de percussão que eles próprios ignoravam. Essa turma também desconhia que antes de dar lugar às quadras de esporte, parque infantil e trailers comerciais, a praça Imperatriz foi um centro de macumba, uma quadra de escola de samba, um brejo e apenas um terreno baldio com uma casa geralmente usada para o consumo de drogas.
Quando a assistente Paula terminou de dar os avisos, Jamaica voltou-se para a roda e dividiu a turma em vários grupos. Queria que criassem um grito de guerra para o Tropical, sem divisão de turmas. Eles tiveram alguns minutos para compor a música, que logo em seguida seria apresentada ali mesma. A música escolhida ali representaria o bairro no grande evento do próximo domingo.
O grande momento chegou. Era a hora das apresentações! Aquelas músicas, e principalmente a energia daqueles jovens, me deixaram mais uma vez tocada. Aquilo ali foi pura emoção! 
O primeiro a cantar foi Ulisses, da turma A. Ele foi seguido de Cristiano, da turma C. Mas naquele momento não havia turmas específicas. Havia apenas um grande grupo ansioso pela escolha do seu grito de guerra.
Extravasa
Tropical veio aqui pra ganhar / Eu quero ser feliz, antes de mais nada
Extravasa
Tropical veio aqui pra ganhar (2x)
Dominou geral / Invadimos a praça
A nossa galera é massa / Não tem porque chorar
Tropical esculacha
Extravasa...
......
Cristiano contagiou a galera toda, arrancando aplausos gerais. Mas o grande vencedor da noite foi Ulisses Nogueira, 18 anos. Ele contagiou, transformando aquele pátio em uma grande festa, uma explosão de alegrias e boas vibrações!
E este será o novo grito de guerra dos jovens de Jardim Tropical:
Não adianta nem chorar
No Tropical eu vou ganhar
Sei que a minha equipe é a melhor
O nosso grupo é o maior
E ninguém vai nos segurar
É Tropical!
......
Mas hoje ainda não foi a despedida dessa juventude tão animada. Antes da tão esperada premiação no domingo, eles vão fazer uma grande farra. Mas observei que essa festa é mais do que uma despedida. É o início das grandes parcerias formadas durante as oficinas, onde criaram um forte laço afetivo que os fizeram caminhar juntos até aqui.
A madrugada que só vai terminar no domingão
Por Mariane Dias
Fotos: Cássia Aparecida
CHEGA AÍ, SÓ TEM SANGUE BOM, ENTÃO! PRESTE ATENÇÃO!

É 1h22 da manhã. Preciso ser criativa. Tenho que estar à altura do que foi um grande momento para mim, para muitos.
O tempo todo eu senti vontade de catucar cada vez mais o que Nova Iguaçu tem escondido, mas a preguiça atrapalhou quase tudo. Depois de uma caminhada do centro de Nova Iguaçu até Jardim Tropical, demorô, tô na escola, tô no Pro Jovem.É o último dia de oficina, mas que precisa ser sentida sem mentira, e mostrar mais força.
No pátio, enquanto o oficineiro Jamaica não chega, a assistente Paula conversa com a galerinha sobre essa etapa, infelizmente encerrada hoje, e como serão as outras etapas do Pro Jovem Trabalhador.
Jamaica já tá na área e com um tom bege de se vestir e sua famosinha touca cor reggae nos transmite a paz e a alegria, como em todos os encontros nunca lhe faltaram. Faltando 10 minutos pras 5 horas, a galera continua chegando, e vestindo branco, sim, a blusa do nosso projeto, Minha Rua Tem História estampadão.Paula continua passando informações importantes para todos, e sobre o grandioso dia 28 de Setembro, nosso domingão abençoado de gritos de guerras. Me sinto um pouco triste, pois confesso que passou muito rápido. O projeto não pode parar por ai, a cidadania deve continuar sendo estudada em cada escola, em cada dia de curso.
Jamaica entra em campo, ou melhor em roda, e logo pede que todos ali demonstrem que Tropical é líder, uma só equipe, uma só família. Jamaica sorrindo já no centro dessa grande roda, carregada de energia e vontade de vencer. Ele comenta sobre premiados e prêmios, explicando inclusive que quem não comparecer no domingão e for premiado não receberá o prêmio. ''É um jogo, só ganha quem estiver lá'', diz Jamaica. Domingo serão todos Tropical, sem turma A, B, C ou D. Unidos em um só grito.Atenção é o que ele pede, colados aos surdos, repiques, tamborins e recos-recos para uma grande brincadeira se juntando ao 1 minuto, do poema, da árvore, do funk, insistem em sair dali convictos e com seu grito em mente. Ou em um só funk, ou em uma só árvore, ou em um só poema. E no meio de idéias se encontrarem o churrasco de sábado é alvo de descontração, de muito comentário e expectativa, organização e força pra comemorar. Afinal, Tropical é deles e precisa ser de todos.
Me senti envolvida e contagiada por esse último dia, por essa última oficina, mas muitos momentos de hoje me fizeram rir bastante, e não somente eu, todos por ali. Cássia, uma de nossas jovens repórteres, bastante animada e empolgada como sempre, resolve se arriscar mesmo não participando das oficinas e sim somente observando entra na roda e resolve mandar um grito? uma rima? Não conseguimos identificar, mas importa é que teve coragem e alegria. "Ai Ai Ai Ai, Au Au Au Au - Em cima, embaixo... É TROPICAL"Divididos surgem as palmas e bastante vontade, senti energia de Maracanã em dia de Fla x Flu, festejando cada idéia como se já tivesse chegado domingo e dessa forma Jamaica acredita que tenha que ser domingo. Sai som, sai tom, e o apito de Jamaica determina tempo esgotado para os gritos feitos serem ali mesmo apresentados e finalmente se concretizar em um único grito. Se juntam novamente.
Nas palmas, gritos, cantorias começam a mostrar sons e até mesmo com ritmo esportivos, orgulho mostrado na cara e na voz. Muitos ritmos, e Ulisses da Turma A, lança o seu som e chamando muito atenção dos colegas, puxando todos e se arrisca até mesmo com dançinhas. Mas no ritmo extravasa Cristiano da Turma C, que entra em campo mostrando seu dom de compositor, e com uma voz mansa e que deixa todos em silêncio, demostra ser bem melhor. Um espírito colorido é o que precisa ser levado ao topo de tudo, com garra e velocidade de ganhar, que Tropical é equipe, depende de querer ganhar e estando ali já são mais que vencedores, diz Jamaica provocando mais um toque de arrepios na galera, que não sabe o que pode encarar ao chegar pro grandioso dia.A batalha de Jamaica se mistura ao espírito guerreiro da equipe, e no momentozinho estilo despedida, mais uma despedida de mãos juntas, como os jovens repórteres sempre estiveram, como Julio Ludemir, como Marcus Vinicius Faustini, como Maria Antônia, como Lindberg e ainda em roda chama nós, por equipe de reportagem, eu Mariane Dias, Camila, Cássia e Raiane ainda faltando os meninos, Jamaica fala novamente do nosso trabalho, agradece de forma forte e falando também do nosso Brasil, que precisa e vai ser o Pólo dos Escritores.
A cidadania sempre mostrada em todos os encontros e sempre respeitada e com muito aprendizado que me senti orgulhosa de estar ali, de saber que cada um com seu jeito, com sua forma, com seu carater é respeitado, é colado projeto a projeto, e no final de tudo, um só grito, um sorriso por todos, um Jardim Tropical e um só dia de céu escuro cobrindo nosso encontro, uma árvore sempre presente que sempre relembra todas as histórias contadas nos encontros passados, não tem jeito, é unico. São criados, podem não ser concretizados no final de uma pequena disputa de som, para o dia de comemoração.''Extravasa, Tropical veio aqui pra ganhar
Eu quero ser feliz antes de mas nada (2x)
Dominou geral, invadindo a praça, a nossa galera é massa
Não tem porque chorar
Tropical esculacha''
......
Um dos gritos composto por Cristiano, que mesmo não sendo o grito votado por todos, foi bem animador e precisa ser lembrado. Pra que esconder? Se não viemos pra esconder ! Confesso que eu não queria escrever a história contadas por eles, é particular, me senti livre e solta, e bastante presa ao projeto. É pouco do que ainda podemos ter.

Árvores, obras, sonhos, lembranças, vídeos, MP4s, câmeras, premiações, sons, futuro? Bonito demais, 3.400 jovens, parece até ser pouco em vista de tantas demonstrações, projetos, trabalhos, adultos. Dos desejos grandes se começam por árvores, por obras. Se pensarmos, árvores começam de semente, crescem, com toda calma e muita água. Minha Rua Tem História é da mesma forma. Crescendo, evoluindo do pequeno. Sem fome e sem pressa. Assim como o Jovem Reporter do Bairro Prados Verdes aborda em um de seus textos, já pensou se cada um amasse uma árvore? Felizes seríamos, diz Felipe Garcez, o Pato.
Junte as ''raízes-bairros'', Jardim Tropical, Prados Verdes, Rancho Novo, Vila de Cava, Palhada, Cacuia, Jardim Pernambuco, Rodilândia, enfim, bairros podem ser como raízes, brotadas juntas, imagina o tamanho dessa árvore com uma só raiz? um só fundamento, um só sonho.
E continuemos no próximo capitulo, domingão de muita agitação. Estarei torcendo junto com todos jovens repórteres um dia taxados de vagabundos, hoje comunicadores.
Muitos sons, cartazes, poemas, desenhos, faixas, confetes !!!
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Minha rua tem projetos
Como já havia ocorrido nas etapas anteriores da gincana social "Minha rua tem história", o processo de formação dos oficineiros e assistentes do projeto serviu para mostrar os acertos da metologia criada pelo cineasta Marcus Vinícius Faustini. Dessa vez, eles trouxeram o resultado dos projetos socioculturais desenvolvidos por cada uma das turmas espalhadas pelos 17 bairros de Nova Iguaçu em que o projeto foi implantado. "A comissão julgadora vai ter dificuldade para escolher um projeto", disse o secretário municipal de Cultura e Turismo depois de ouvir, na manhã do último sábado, a exposição de todos os projetos criados pelos participantes do Pro Jovem. Para Faustini, a eficácia do "Minha rua tem história" só poderia ser dimensionada se no final dessa aventura que está mobilizando 3.400 jovens, eles fossem capazes de elaborar seus próprios projetos.
Houve projetos para todos os gostos, mas um observador mais atento não teria dificuldade de identificar o desejo dos jovens de usarem os projetos para melhorar a auto-estima da comunidade. Em Luiz de Lemos, por exemplo, a Turma A vai visitar as favelas do bairro e entrevistar os freqüentadores de projetos educacionais, culturais e esportivos para mostrar que não há apenas drogados e marginais na comunidade. Em Jardim Tropical, a Turma C também pretende resgatar o que há de bom em matéria de esporte e lazer em um bairro cujo problema de auto-estima começa na própria dificuldade de delimitar uma área para si, como o pesoal da Turma A detectou no projeto que desenvolveu. O projeto da Turma B de Prados Verdes, com o sugestivo título de "Somos mais do que vocês pensam", tem a intenção de mostrar que o bairro mais distante do centro de Nova Iguaçu não está restrito à guerra de facções do tráfico de drogas. A descoberta de talentos proposta pela Turma A de Cabuçu também visa a aumentar a auto-estima dos moradores.
Os jovens do "Minha rua tem história" também se propõem a fazer um diagnóstico da saúde, talvéz a única área em que o governo atual não conseguiu produzir mudanças significativas em Nova Iguaçu. Além da gritante preocupação com os deficientes físicos, presente nas Turmas D de Luiz de Lemos e Palhada, diversas turmas elaboraram projetos de pesquisa cujo objetivo era auscultar a opinião dos freqüentadores dos postos de saúde do bairro. Esses foram os casos da Turma C do Bairro da Luz, da Turma A da Palhada, da Turma B de Jardim Guandu e da Turma A de Prados Verdes. Alguns projetos também vão investigar as vítimas da dengue na última epidemia, que afetou sobremaneira o Bairro da Luz. Os recorrentes casos de dislexia de Rodilândia preocupam os jovens da Turma C, que, se saírem vencedores, doarão os MP4s para as crianças portadoras dessa doença.
A questão ambiental foi lembrada de diversas formas, a começar pelas enchentes recorrentes na Prata, na maioria das vezes provocada pelos moradores de áreas ribeirinhas que entopem os valões com o lixo. Na Cobrex, os jovens da Turma D resolveram criar o Reciclato, onde o artesanato com garrafas pet salvariam os rios de Nova Iguaçu e renderiam uns trocados para as mulheres de baixa renda. A Turma D de Jardim Guandu detectou uma pervesa ligação entre o lixo, o valão e o posto de saúde a serem tematizados no jornal que pretendem públicar.
Além de críticos, os participantes estão dando aulas de solidariedade. Em Vila de Cava, a Turma A vai distribuir os alimentos arrecadados durante evento musical para as crianças do CECOM, uma creche do bairro. Ainda em Vila de Cava, a Turma C criará a Trupe da Alegria para visitar orfanatos e gravar o som das crianças abandonadas à própria sorte. Já em Rancho Novo, os jovens da Turma A têm o objetivo de gravar entrevistas com as crianças e adolescentes do CRIAM, tratados pela comunidade com o mesmo preconceito dedicado aos deficientes físicos atendidos no bairro, tema do projeto da Turma B. A Turma A de Jardim Nova Era concebeu um show com os talentos do bairro para atrair pessoas para uma grande ação social. A Turma B da Prata usará os MP4s para entrevistar os menores de rua que proliferam no bairro. Também se pode catalogar no campo da sensibilidade social a preocupação demonstrada pela Turma D do Bairro da Luz com os jovens ociosos e pela Turma D de Cabuçu com a linhagem de grávidas adolescentes, elas próprias filhas de grávidas adolescentes.
Houve ainda projetos dedicados à questão negra (Turma D de Prados Verdes), às deterioradas áreas de lazer da cidade (Turma D de Jardim Palmares e Turma C de Cabuçu), ao trabalho informal (Turma B de Rodilândia e Turma B de Cobrex). Os jovens da gincana social também estão atentos para a questão cultural, demonstradas em diversos projetos para descoberta de talentos e ao resgate de manifestações culturais típicas do bairro.
Presença ilustre
Por Tatiana Sant'Anna
Em meio às cerca de duzentas pessoas presentes que enfrentaram a chuva para chegar ao salão de festas Sonhos e Festas, estava Maria Antônia Goulart, a coordenadora do Bairro Escola. Sempre simpática e comunicativa, ela chegou por volta das 19h30 na companhia da assistente social Renata, de Junior e do filho Luiz. Animada com a exibição do documentário dedicado a um personagem idoso do bairro e a duas participantes da gincana social "Minha rua tem história", Maria Antônia fez um discurso, falando um pouco do projeto e da importância dos jovens interagirem com a comunidade onde moram.
Depois de assistir ao vídeo, a coordenador do Bairro Escola tietou um pouco as principais personagens da história, parabenizando-as pela sua performance e posando para fotos ao lado delas. Depois dos cumprimentos, Maria Antônia deu uma rápida entrevista para a jovem repórter que estava fazendo a cobertura do evento.
Com um sorriso estampado no rosto e os olhos brilhando de alegria, Maria Antônia se surpreendeu com o público presente: “Eu achei que com essa chuva não ia vir ninguém. Foi uma surpresa chegar aqui e estar lotado”, disse.
Ela adorou a exibição do documentário e disse que também que foi prestigiar o evento do bairro Rodilândia, na noite anterior: “Foi superlegal. Eu acho que é isso. A história que os mais velhos têm pra contar, as crianças conhecendo, o jovem colocando essa história no papel e passando para frente, e a gente contando a história da cidade.”
Maria Antônia não se surpreendeu com o entusiasmo com que os cerca de 3.500 de 17 bairros jovens abraçaram as tarefas da primeira gincana social do Brasil. “Sempre acreditei que o jovem está disposto a participar dos programas”, analisou.
Empolgada com o projeto, a coordenadora do Bairro Escola confessou: “Meu programa de domingo à noite é entrar no blog da "Minha rua tem história e ler as histórias dos bairros. Me divirto muito”. Nossa cobertura da gincana social vem agradando Maria Antônia, que por essa mesma razão tem grandes planos para a Escola Agência de Comunicação. “Temos que aumentar a equipe para o ano que vem. A gente já pensa em ter uma equipe mais profissional, com a galera que está há mais tempo na agência”, diz. E dispara “Vocês que se preparem! A idéia de uma comunicação jovem funcionou e quero repetir a idéia!”